Scania negocia com sindicato alternativas para o excesso de mão de obra

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Primeira montadora a retomar a produção no Estado de São Paulo, após várias semanas de paralisação total do setor por causa da pandemia do coronavírus, a Scania iniciou discussões com representantes dos trabalhadores com objetivo de avaliar medidas necessárias para atender ao novo nível de demanda de mercado, que será bem menor do que o previsto no início do ano.

A fabricante de caminhões e ônibus instalada em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, também alega necessidade de seguir as as diretrizes estabelecidas pela matriz sueca. No início do mês, a companhia afirmou que pretende fechar cerca de 5 mil postos de trabalho em todas as suas fábricas no mundo, onde trabalham 35 mil pessoas.

Em nota, a empresa informa que, no Brasil, está analisando o cenário e dialogando com o Sistema Único de Representação dos Trabalhadores sobre o tema. “Até o momento não há decisão tomada”, afirma. A empresa emprega 2,5 mil funcionários no ABC e na quarentena não adotou medidas de redução de jornada e salários, como a maioria das outras montadoras fizeram. Apenas deu férias coletivas de cerca de um mês.

Ao retomar atividades, em 27 de abril, a Scania convocou todo o pessoal da produção, divididos em dois turnos para diminuir a densidade de pessoas na fábrica. Metade trabalha das 7h às 16h15 e a outra metade das 17h30 às 00h20. Antes, havia só o primeiro turno. Todas as demais fabricantes estão voltando a operar co quadro reduzido de pessoal.

O diretor executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Carlos Caramelo, afirma que as discussões têm como foco encontrar alternativas para enfrentar a queda da produção sem que haja demissões. “Estamos negociando dentro das possibilidade de manter o quadro de trabalhadores.”

Alerta com demissões na Nissan

O anúncio da demissão de quase 400 funcionários da fábrica da Nissan em Resende (RJ), feito na segunda-feira, ligou o alerta entre trabalhadores de montadoras de todo o País. A empresa retoma atividades nesta quarta-feira.

Embora tenha feito acordo de estabilidade no emprego, que valeria por mais dois meses (como prevê a MP 936), a empresa decidiu pelo corte de 16% de sua mão de obra e vai pagar aos demitidos os salários equivalentes ao período de estabilidade.

O setor automotivo prevê queda de 40% nas vendas este ano em relação a 2019. No início do ano as montadoras previam venda de 3 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus (volume 9% superior ao do ano passado), mas, com a pandemia, refizeram as contas e agora projetam 1,67 milhão de unidades.

Vários executivos do setor, que emprega 125,1 mil trabalhadores já afirmaram que estão adotando todas as medidas possíveis para manter empregos neste período de crise provocada opela covid-19, mas admitem que, se ociosidade das fábricas for mantida nos níveis atuais não terão alternativas.

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Estadão

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